1 de dez de 2013

Anti-comodismo

Rodando o mundo
rodando à vida
rodopiando em volta do cais.

Sorrindo a todos
mesmo que sem rumo
sempre em frente.

Uma viola debaixo dos braços
uma folha de pão
um carvão
eis que surge um singelo poema.

Pontual
mas
há dias em que o relógio atrasa.

Nestes dias
eu travo uma briga
ameaço quebrá-lo
só que o pobre diabo não passa o tempo.

Afobando-se aos poucos
quiçá
mais que eu.

Entre as soluções
entre os devaneios
entre as paranoias
entre os errantes
entre os certeiros
entre todos
o pior
você.

Obrigo-me a deixar-te no passado
no qual
não haverá de sair
não para perturbar os meus passos
não para saciar sua ganância.

És página virada
junto ao tempo
que já não me engana
não me retêm
não me atrasa.

Cá estou
embalando-me no enredo vindo do Norte
trajando as cores
enrolando-me na melodia
mas

não cortejando o velho comodismo.