12 de dez de 2015

O que aconteceu depois?

Depois de tanto idealizar, consegui realizar. Após estabelecer tantas metas, consegui cumprir a mais importante: Cheguei! Um sentimento que me enche, me completa e me faz ver que tudo é uma questão de tempo e, acima de tudo, dedicação.
Depois do primeiro passo, tudo o que passou e que tanto me afligiu, finalmente, ficou no passado, e hoje é tão insignificante. Tantos sentimentos e amizades (que um dia pensei serem verdadeiras) se foram, como um dia vem e o outro vai. E eu não me importei, e continuo não me importando.
Nada mais importa, pois após o "depois", muito aconteceu. Aquele sonho imaturo que cultivava quando criança, já não parece tão imaturo depois do primeiro passo; àquele sentimento de não pertencer ao lugar onde diziam que eu devia estudar, morar e casar tornou-se mais intenso. Eu dei o primeiro passo, e gosto de frisar isto porque depois do mesmo, vi novas paisagens, conversei em outros idiomas, conheci pessoas incríveis e me apaixonei pelo diferente. E isto é a única coisa que realmente importa.


6 de mai de 2015

o entardecer da vida
não apagou a recordação
não.
tenho em mim, ainda
o seu lindo sorriso
o seu lindo sorriso descontraído,
que perante aos causos
faz o choro passar despercebido

mas, isso não é tudo
pois tenho, no lado de cá
o cheiro de chocolate pairando no ar,
bem como àquela melodia ressurgente
na na na la la la
onde eu me tiro pra dançar

mas, novamente, isso não é tudo
e quanto ao sorvete delinquente?
se há - e deve haver - um culpado
eis ele aí.

28 de jul de 2014

É temporário

O inverno me traz meras lembranças cuja morada é o lado esquerdo.

Dentre as inúmeras coisas que vêm acontecendo, o meu crescimento espiritual é o que transcende. A muralha - que antes me encorujava, hoje está despedaçada - caiu.
Ainda há tantas coisas para serem esclarecidas, mas eu estou tão bem, sinto que venci estes obstáculos. Venci. Depois de um longo tempo, enfim o vento está levando os seus restos de minha morada.
O tempo está passando tão rápido que chega a ser assustador, talvez essa seja a sua definição, o "bicho papão das pessoas mais velhas", diria o pequeno príncipe, o único capaz de assustar pessoas em gomos numa redoma; esse tempo tem sido tão bom pra eu enxergar tudo o que deve ser feito, me mostrando o outro lado da vida, ou talvez o único, o lado bom - antes, irreconhecível.
Tempo, tempo, tempo...
Me sinto como um animal em mudança,  tentando de tudo para se adaptar à natureza, no caso, a realidade. Como relatou Darwin.
Posso ver que quanto mais envelheço, menos me arrependo de meus erros, logo menos, os dezoito anos tão esperados - seis meses é o que falta - e uma grande reviravolta, estarei em um novo processo de mudança, será um novo ciclo.
Será engraçado viver essa experiência, durante uma época da minha vida, eu diria dos 9 aos 15 anos, tudo era motivo para me revoltar, com a família senão com o sistema. Turbilhão de sentimento de adolescente, como todos, pensam em ter o mundo, e respondem tudo à base de: sai da minha vida. E hoje, tão prestes a conseguir a doce "liberdade'', enxergo o oposto. A rebeldia se esvaiu. Muito engraçado.
Eu costumava tempestear quando me diziam: é uma fase. É uma fase! O tempo me ensinou que tudo na vida nada mais é que uma fase.
Precisei de momentos ruins para enxergar e me questionar sobre o que eu queria para mim num futuro próximo, e fiquei feliz quando percebi que tudo o que estava acontecendo ficaria no passado, pois uma nova pessoa estava renascendo. E renasceu. Eis me aqui.

14 de fev de 2014

Minuciosa recordação

Aquela vivência dura
tornou-se uma recordação
que me aquece por dentro
igual ao lampião que esquentávamo-nos
em dias de inverno

Com os pés ficando na terra
do alto de uma montanha
observo o vai e vem
o fluxo dos camponeses
que por fim
circulam livremente em meio às suas colheitas

A mineração
por nossas mãos
gerou à riqueza do patriarcado
onde a pátria
 enterrou-nos
 esqueceu-nos
e nestas terras sofridas
muitos de meus irmãos
aqui jaz

Os mortos
serão eternos
lembrados em nossa vitória, em nossa glória
os vivos
 levarão à lembrança de nosso refúgio,
 de nossa libertação.

À nossa luta
 não irá acabar
 por debaixo 
destas terras
onde  
crescemo-nos
morremo-nos
criamo-nos
por fim
lutamos.

Nós
pobres
 escravos
humilhados
sofremos ao ver
muito de nós exilados,
conseguimos à nossa libertação
por detrás de suas cabeças, alcançamos o nosso degrau.

O tal do Zé

Zé do pé preto
não era tão preto quanto dizia seu nome
era um velho grisalho
moreno, alto, robusto
onde sua história inicia-se em 21 de abril.

Morador da vila
misturava-se com os outros
no boteco fazia hora,
 sempre na companhia de seu cavaquinho
onde o cujo sabia de cor suas tristezas.

Suas unhas grandes
tocavam o dó, ré, mi, fá
sua solidão seguia com sol lá si
às velhas notas
que alegravam a mocidade da vila
botavam todos na roda
e à gira corria.

Durante toda à infância
viveu no Nordeste
conviveu com à seca,
conviveu com a fome
onde tudo teve um fim
quando à cigana da saia rodada
apareceu-lhe
usando às pontas do dedo
traçou à sua vida na terra seca,
não contavam com o vendaval
que veio e levou às singelas palavras.

Mas
 Zé do pé preto
 havia de ter guardado
às palavras escritas
seguido das falas.

Quem viu, viu
quem ouviu, retalhou
o Zé, todo humilde
pôs sobre às costas
à sua trocha
procurou por Rosinha, à tal cigana
e disse-lhe:

- Rosinha, tu que tens a formosura,
a doçura de uma moça do cangaço
tens que me acompanhar,
pegaremos o primeiro trem
andaremos feitos andarilhos
perdidos no sertão.

Rosinha
uma mulher livre
que passou à vida toda
percorrendo à terra seca
sozinha, sem marido, sem filhos
estava à procura de sua lenda,
toda entristecida
negou-se a ir
pôs fim.

Desatinado
o pobre inconformado
deu à cara e foi-se para São Paulo.

Tanto ralou
tanto sofreu
vice-versa

formando-se o doutor da vida.

12 de fev de 2014

Sem data

Havia tanto pesar em mim
pesar que tanto pesava
eu dizia lentamente ao vázio
não irei me perder

Mas
em um dia ensolarado
encontrei-me perdida em um jardim
um grande reencontro
tanto para nos lembrar do que passou
quanto para o esquercermos

Eu
nem tão doce 
nem tampouco amarga
busquei o que todos buscavam
talvez
entreguei-me à vida
joguei-me ao relento
mas
no primeiro instante 
chutei o balde


Àquela vida meia boca
eu estava tão à toa
a vida se enrolava na melodia
enquanto eu
bem, seguia à monotonia

1 de dez de 2013

Serenidade

O meu coração
quando em paz
clama à companhia do luar
a serenidade do que há de melhor.

O meu peito se faz de amor
amor à vida
a Minh ‘alma navega 
na formosura do meus passos ao léu.

Como em um tango
sapateando em cima da chamada tristeza
exigindo
a mais pura felicidade
o brilho no olhos d'outros
exceto
uma meia-dúzia.

Anti-comodismo

Rodando o mundo
rodando à vida
rodopiando em volta do cais.

Sorrindo a todos
mesmo que sem rumo
sempre em frente.

Uma viola debaixo dos braços
uma folha de pão
um carvão
eis que surge um singelo poema.

Pontual
mas
há dias em que o relógio atrasa.

Nestes dias
eu travo uma briga
ameaço quebrá-lo
só que o pobre diabo não passa o tempo.

Afobando-se aos poucos
quiçá
mais que eu.

Entre as soluções
entre os devaneios
entre as paranoias
entre os errantes
entre os certeiros
entre todos
o pior
você.

Obrigo-me a deixar-te no passado
no qual
não haverá de sair
não para perturbar os meus passos
não para saciar sua ganância.

És página virada
junto ao tempo
que já não me engana
não me retêm
não me atrasa.

Cá estou
embalando-me no enredo vindo do Norte
trajando as cores
enrolando-me na melodia
mas

não cortejando o velho comodismo.

Ao léu

O calçadão da Barra está vivo
vivo como nunca
rodando o samba de bamba
rodando a roda da vida
rodando a tristeza de amar
os versos de um poeta - embriagado, ao vento.

Onde
As moças faceiras se desfazem
se enrolam na dança
se envolvem na melodia
na qual
 o som se faz num olhar.

Vivendo em botecos
poetas de almas perdidas
marcados pela solidão

lavando à alma com aguardente.

28 de abr de 2013

Descabelando minha vida

Eu fiz, sem querer querendo. Eu quis o que não podia, eu quase tive o que eu queria. Tentei trazer para o lado de cá aquilo que estava longe, do outro lado da cidade.
Eu tentei ir além, mudei a minha visão sobre o mundo, mas agora não sei se ele está de ponta cabeça ou se, a minha cabeça é que está de ponta de cabeça, virada. Eu tô maluca da ideia.
Não faz sentido ficar aqui de braços cruzados, nem tão pouco faz sentido ir pra longe de suas entranhas. Muito além da vida, muito além das flores. Ficar aqui sentada, olhando os carros virem e irem, o vento balançando os meus cabelos, o tempo não passa e a minha vontade de sumir cresce.
Estou em prantos, querendo sumir, trombar alguém por aí e transformar o início num nó, mil voltas, quem sabe? Não o deixar ir por qualquer motivo, que seja... Não importa!